I made it!

Foram 208 dias, 2189.9 milhas, 12 kg na mochila, quatorze estados, seis ursos, dois joelhos ferrados, muito suor, algumas lagrimas, zero alcool, too much drama e incontaveis tortillas com atum. E ainda assim a ficha ainda nao caiu.

Escalei Katahdin, a ultima montanha da trilha, dia 16 de outubro, exatamente tres semanas atras, mas ainda tenho a impressao que vou voltar pra trilha qualquer dia desses. A AT se tornou minha casa, o lugar onde eu me sinto 100% a vontade, onde eu me integro na paisagem. Conheco cada som, cada cheiro, cada animal. Sei exatamente o que fazer e como agir, nada me desestabiliza. Tao diferente da primeira semana, tao nervosa e ansiosa que estava, imprecisa nos movimentos, com medo do que estava por vir.

A trilha, definitivamente, nao eh para todos. Mas foi para mim. Vivi momentos inesqueciveis, bons e ruins, e aprendi a confiar no meu taco. Aprendi a medir riscos, a equilibrar conforto e praticidade, definir prioridades. Tambem foi uma grande experiencia em tomar decisoes erradas e se dar conta de que tudo vai ficar bem mesmo assim. Nao da pra ter controle sobre tudo, impossivel saber o que esta a frente. Apenas fiz o melhor que pude e tentei ser compreensiva comigo mesma quando tudo dava errado.

A trilha nao foi nada do que eu esperava dela. Foi mais facil em alguns pontos, mais dificil em outros. Desafios que nunca imaginei ter que enfrentar apareceram aos montes na minha frente.

Nao tive tempo de escrever no blog, fiquei mais desconectada do que eu pensava. Nao tinha tempo para nada, minha cabeca estava 100% em viver o momento. Mas pretendo voltar aqui para dar dicas para quem pretende fazer a trilha no futuro. Um dos meus planos, inclusive, eh fazer um guia para estrangeiros, pois precisamos de toda uma preparacao diferente de quem mora nos EUA. Eh algo que eu gostaria de ter quando comecei a me pesquisar. Tambem pretendo escrever um livro sobre minha experiencia pessoal. O desafio maior para mim eh me organizar, sentar na cadeira e escrever. Mas acabei de andar mais de 3.500 km nas montanhas, acho que posso fazer qualquer coisa depois disso, nao eh mesmo?

Amanha, terca-feira dia 7/11, vou fazer um live na minha pagina do Facebook, Duas Mil Milhas, quem quiser mandar perguntas, eu respondo por la! See you soon!

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10 comentários em “I made it!

  1. Olá , acompanhei alguns dos seus passos pelo instagram, espero que realmente faça o livro ou um tutorial para os que desejam também seguir este desafio, são muitas dúvidas e curiosidades, principalmente sobre a comida , fogo e higiene. Parabéns e novas trilhas para vc. !!!

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  2. Amanda Lourenço, como vai ?
    na semana passada , vi num programa de tv ,acho que foi o OFF, um corredor ultramaratonista , que desejava quebrar o recorde da travessia dos AT ( fiquei intimo ,viu ?) e durante o programa , que percorreu quase toda a trilha ,deu para ver algumas coisas : a beleza imensa da trilha , a obsessão dos americanos em vencer , vencer , vencer ( parece o hino do flamengo.)
    -fiquei pensando se vale a pena sair correndo ( cerca de 80 a 100 km por dia) apenas para quebrar um recorde e não usufruir de toda a natureza ao redor ,que voce tenho certeza o fez. O próprio corredor , ao fim do programa faz uma auto-critica , sobre a validade deste feito .Mas também ele afirma, talvez como voce : valeu a pena ? Sim , desde que a alma não é pequena ( ok , distorci Fernando Pessoa , …quem quer dobrar o Bojador , tem que dobrar alem da dor ).
    -por curiosidade estou pesquisando imagens ( para matar o tempo, nesta terça-feira , sem movimento no escritorio) e vi se blog.
    -particularmente eu gostaria de fazer um trilha destas , mas não sei se daria tempo ( estou com 61 anos e filhos para terminar de criar , sei lá )
    -finalizando, fico bem contente que voce tenha conseguido. Por favor, descreva mais, escreva o livro , convide-nos ,
    -parabéns mais uma vez .

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    1. Oi Claudio! Se tem uma coisa que a gente aprende na trilha é: Hike your own hike. Quer dizer, cada um está lá por razões diferentes e com objetivos diferentes, então cada um sabe de si. Eu, particularmente, não veria muita graça em apenas voar pelos lugares sem aproveitar as pessoas e as paisagens, mas pra ele deve ser muito legal poder ostentar o título de corredor mais rápido da AT. São experiências completamente diferentes.
      E idade não é nenhum obstáculo para a trilha, heim?! O que mais tem é recém-aposentado que planejou fazer a trilha toda por anos e agora finalmente têm tempo de fazer. São só seis meses, vai sim!!!
      Obrigada pelo comentário

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  3. Parabéns pela conquista, Amanda, espetacular, só quem terminou um trilha difícil ou atingiu o cume de uma montanha sabe a sensação boa que dá. Tenho vontade de fazer esta trilha, mas tenho uma dúvida: que tipo de visto é necessário para fazê-la?

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    1. Obrigada, Lucio! Sim, até hoje não acredito que terminei, rs. Então, o visto é o de turismo mesmo, o B2. Geralmente em seis meses é possível terminar, mas como eu precisei de sete meses, fui no Canadá e peguei uma extensão.

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